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El Niño: instalação do fenômeno será rápida, mas ele não será duradouro

Fenômeno neste ano será Modoki e reduzirá o risco de frio extremo no Brasil

23/05/2014 11:02:00

Por: Rafaela Vendramini

Depois de dois anos com a atmosfera neutra, já que a temperatura das águas do Pacífico estavam dentro do normal, em 2014, um novo ciclo de água quente no Oceano Pacífico Equatorial indica a formação do El Niño. Ainda existem indefinições sobre o fenômeno, mas duas coisas podem ser afirmadas: ele será instalado rapidamente e não será duradouro.

De acordo com o climatologista da Somar, Paulo Etchichury, a instalação do El Niño acontecerá agora, entre maio e junho, porém, ele deverá começar a enfraquecer no final deste ano. A principal característica deste novo fenômeno é que ele não consegue sustentar as águas do Pacífico aquecidas ao mesmo tempo, ou seja, em determinado momento o leste está mais quente e em outro momento a parte central que aquecerá.

Por causa dessa característica, o fenômeno é classificado como Modoki e influencia o clima de uma maneira diferente do clássico (que é chamado de Canônico). No Canônico o aquecimento é simultâneo em toda a extensão do Pacífico, caso que aconteceu entre 1997/1998 e 2009/2010. Já o Modoki, ocorreu em 2004.

[*BMudanças no clima durante o El Niño ModokiB*]

O El Niño, normalmente, cria falsas expectativas sobre as mudanças climáticas que ele poderá causar. Quando surge o fenômeno, as pessoas erroneamente entendem como um ano de boas chuvas para os setores de energia e abastecimento de água e de safras cheias na agricultura. Mas isso só ocorre em anos clássicos.

No El Niño Modoki é preciso salientar que não há garantia de chuvas regulares no Sul durante o inverno, ou a primavera. “No Sudeste e Centro-Oeste, não apresentam uma boa correlação com a chuva, podendo apenas antecipar alguns episódios de chuvas entre setembro e outubro, mas sem regularidade”, explica Etchichury.

A influencia mais direta que esse fenômeno tem é com as temperaturas. O El Niño atual ajudará na redução do frio extremo no centro-sul do Brasil durante o inverno, algo que beneficia inicialmente as lavouras de milho segunda safra e depois favorece o bom desenvolvimento do trigo, pois as chances de ocorrência de geada serão menores.

No Sudeste e no Centro-Oeste, espera-se uma primavera de muito calor, com extremos na temperatura máxima. Além disso, o El Niño Modoki não tem ligação com o clima no Norte e no Nordeste do país.

[*BEl Niño + Oscilação Decadal do PacíficoB*]

A Oscilação Decadal do Pacífico é a fase fria dos Oceanos que a atmosfera está vivendo. Isso não quer dizer que não possam surgir El Niños, como neste ano, mas a intensidade do fenômeno será afetada. “Por isso, que entre 1975 e 2000, os El Niños foram potencializados. Mas agora estamos numa fase climática semelhante a 1945 a 1975. Conclusão: nessa época os La Niñas foram mais frequentes, choveu menos e fez mais frio”, conclui Paulo Etchichury, da Somar Meteorologia.

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