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Conta de luz continua com bandeira vermelha patamar 2 em setembro

Chuva se torna mais regular com a chegada da primavera, mas conta segue com tarifa extra até o final do mês

05/09/2018 10:00:00

Por: Redação Somar

Com a possibilidade de um El Niño fraco aumenta cada vez mais, a chuva deve se tornar mais regular já no início da primavera no Centro-Sul. Apesar disso, a bandeira vermelha patamar 2, que consiste na tarifa extra mais alta, continua vigorando em setembro.

Isso significa um retorno dos episódios de chuva volumosa para as regiões Sudeste/Centro-Oeste e uma maior frequência de chuva com volumes significativos na região Sul do Brasil. Como terminamos agosto com chuva abaixo da média em praticamente todas as regiões das bacias hidrográficas do Brasil, ainda continuamos na tarifa de Bandeira Vermelha e de Patamar 2, a mais cara de todas.

Essa bandeira tarifária custa uma taxa adicional de R$5,00 a cada 100 quilowatt-hora. A tarifa é aplicada a todos os estados do Brasil pertencentes ao Sistema Nacional Integrado (SIN) e apenas o estado de Roraima não integra o mesmo. Logo, praticamente todos os consumidores brasileiros continuarão pagando o preço mais caro pela energia consumida.

E o aumento da taxa da bandeira tarifária ocorre justamente quando o sistema de geração hidráulica não está conseguindo produzir o total de energia esperado, seja por um cenário ruim no quadro de chuva ou volume útil dos reservatórios, ou pelo planejamento de mitigação feito pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Com isso, as usinas térmicas precisam ser acionadas e há um maior custo na geração de energia. Consequentemente, o consumidor é quem acaba pagando essa diferença através das bandeiras tarifárias.

El Niño impacta geração de energia

Como o principal meio de geração de energia elétrica no Brasil se dá pela geração hidráulica, a previsão de chuva e ocorrência da mesma é de extrema importância. Os modelos climáticos preveem para os próximos meses um aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, e a configuração do fenômeno El Niño. Enquanto o La Niña é caracterizado pelo resfriamento anormal das águas do Pacífico e provoca uma redução do regime de chuva aqui no Centro Sul do Brasil, como o El Niño é caracterizado pela aquecimento das águas, o efeito na organização da chuva também é contrário. Logo, teoricamente a configuração de um El Niño nos próximos meses provocaria bastante chuva em algumas regiões do Brasil, o que poderia contribuir para uma melhora no volume útil dos reservatórios.

Mas, a má notícia é que a configuração desse próximo El Niño terá características do tipo Modoki, em que o Oceano Pacífico Central fica aquecido e o Oceano Pacífico Leste fica menos aquecido. E essa diferença de aquecimento entre as duas regiões reflete diretamente no regime de chuva aqui no Sudeste e Sul do Brasil, diminuindo os acumulados e mantendo os episódios de chuva de forma inconstante, o que não é um cenário favorável para o aumento do nível dos reservatórios.

Previsão para os próximos meses

Portanto ao longo do mês de setembro com o retorno das condições tropicais e uma melhora no regime de chuva nas regiões Sudeste e Sul, o nível dos reservatórios deve apresentar uma leve melhora mesmo que não por muito tempo, e possivelmente haja uma aliviada na taxa de tarifa já em outubro. É importante ficar atento a um início de retorno da chuva volumosa já no final de setembro e no mês de outubro na maior parte das bacias hidrográficas do Brasil, porém, com a configuração do El Niño tipo Modoki nos últimos meses do ano, não haverá persistência desses episódios de chuva, o que pode voltar a prejudicar o preço de energia.

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