Jornal do Tempo | Notícias

Plantio do trigo no Paraná está atrasado devido tempo seco

Semeadura do trigo chega aos 7% no Estado paranaense ante 40% no mesmo período comparado à última safra

14/05/2018 09:26:00

Por: Livia Fernanda

A presença de um bloqueio atmosférico que impedia a passagem de frentes frias manteve o tempo seco desde o final de abril em grande parte do país. Com as chuvas abaixo da média e o déficit na disponibilidade hídrica do solo, a área de semeadura do grão chega a registrar um atraso de 33% em comparação à safra de 2016/17.

Até agora, apenas 7% das áreas destinadas ao trigo foram semeadas no Paraná. De acordo com o Deral (Departamento de Economia Rural), este deve ser o menor percentual para esta época do ano desde 2009. Ainda assim, a previsão do retorno das chuvas a partir deste fim de semana, deixa os agricultores, que vinham plantando no pó, mais otimistas.

Chuva volta na segunda metade de maio

Segundo a Somar Meteorologia, a segunda quinzena de maio deve ser marcada por chuvas mais frequentes. A primeira frente fria deve romper o bloqueio atmosférico entre esta sexta e sábado (12), e deve trazer acumulados significativos para o oeste paranaense, aonde algumas das principais áreas produtoras chegaram a registrar quase 50 dias sem precipitação.

De acordo com o agrometeorologista da Somar, Leandro Calve, se as instabilidades se mantiverem entre o fim de maio e início de junho, a produção da cultura deve se recuperar a tempo de garantir uma qualidade de desenvolvimento do grão dentro do esperado.

Estimativa é de safra maior que 2016/17

Mesmo com o atraso no plantio, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), estima que a área semeada em todo o país, chegue a ficar 4,2% acima da última safra, com dois milhões de hectares, resultando numa produção de 4,87 milhões de toneladas de trigo. Tudo isso, com base nas previsões climáticas que indicam um inverno de condições favoráveis para o cultivo do trigo.

A expectativa é de que com o retorno das chuvas, a disponibilidade hídrica do solo se recupere. Apesar disso, Calve chama atenção para o atraso no plantio, que pode trazer futuras complicações para as lavouras que foram semeadas mais tarde, já que consequentemente, as mesmas devem ser colhidas após a entrada da primavera, quando há um aumento natural da frequência e volume da chuva, que pode afetar a qualidade do grão por conta do excesso de umidade.

Argentina: Retorno das chuvas beneficia safra de trigo

O país vizinho começou o ano assolado por um período de seca extrema, que culminou na perda de 20 milhões de toneladas de soja e sete milhões de toneladas de trigo, o que implicou em um prejuízo de US$8 bilhões. Mesmo as lavouras que conseguiram atravessar o período de estiagem, foram castigadas ao final do cultivo com chuvas excessivas que afetaram a colheita.

Apesar do déficit na produção das safras de verão, os volumes elevados de chuva trazem um cenário otimista para o solo argentino, que começa a ser preparado para receber a semeadura do trigo, uma vez que os acumulados devem ajudar a repor a disponibilidade hídrica do solo.

Além disso, com o término do La Niña, a expectativa é de o Oceano Pacífico siga em condições de Neutralidade, quando não há atuação de nenhum fenômeno, o que deve configurar um inverno com características típicas da estação, favorecendo tanto o plantio, quanto o desenvolvimento do trigo no solo argentino.

Últimas notícias

Buscar notícias