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Ciclo climático diminui volume de chuvas em São Paulo nos próximos anos

Hoje, Cantareira está com apenas 5,5% da capacidade máxima

08/10/2014 16:15:00

Por: Rafaela Vendramini


A Oscilação Decadal do Pacífico é um ciclo climático que deixa a atmosfera mais fria, ou mais quente e determina como serão os períodos chuvosos na América do Sul. Na fase aquecida o volume de chuva anual é maior e na fase resfriada, os acumulados durante o ano são menores. Essa mudança de ciclo está diretamente ligada à crise de abastecimento de água em São Paulo.

O alerta da meteorologia é que a fase fria, com volumes de água anuais mais baixos, está apenas no início. De acordo com dados do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), entre 1935 e 1955 a média de chuvas em São Paulo por ano ficou em torno de 1.200mm e nas décadas de 1970, 1980 e 1990 esse valor subiu para cerca de 1.600mm anuais. Desde 2005 a atmosfera vive a fase fria e os períodos chuvosos estão mais parecidos com das décadas de 1940.

A Oscilação Decadal do Pacífico, seja na fase quente ou fria, não muda as sazonalidades do clima, como as estações, os períodos secos e chuvosos e até mesmo a formação de fenômenos como El Niño e La Niña. Mas, a ODP pode potencializar algumas situações e neutralizar outras. É o caso do El Niño, que esquenta as águas do Oceano Pacífico, mas perde intensidade nas fases de resfriamento da ODP.

No caso da crise de abastecimento de água em São Paulo, a culpa não pode ser depositada integralmente ao novo ciclo climático. O crescimento da população agravou a falta de recursos naturais. Na década de 1950, quando o volume de chuva anual era mais baixo, a capital paulista tinha cerca de 2 milhões de habitantes, esse valor saltou para quase 12 milhões nos últimos anos.

A falta de investimento na estrutura também levou o Sistema Cantareira ao nível crítico de hoje. As chuvas previstas para esta primavera e verão devem amenizar e estabilizar o volume dos reservatórios, mas ainda não será suficiente para reverter a situação.

“O volume dos reservatórios vai andar de lado nesse período chuvoso”, explica o climatologista da Somar Meteorologia, Paulo Etchichury. E ele dá um exemplo simples, entre 2011 e 2012, época onde os mananciais ainda estavam numa situação confortável, o nível do Cantareira era de 73,8% em 1º de outubro de 2011 e terminou o período chuvoso, em 30 de março de 2012 com 74,3%. Essa pouca variação ocorre porque, apesar da chuva nesses meses, o consumo de água também aumenta.

Hoje os mananciais do Cantareira estão com 5,5% da capacidade máxima. A previsão é tempo seco nos próximos 10 dias no Sudeste, o que significa que esse valor deve ficar ainda mais baixo até a volta frequente das chuvas, que está prevista a partir do dia 20 de outubro.

Como os ciclos da Oscilação Decadal do Pacífico duram em média 30 anos, serão necessárias medidas mais abrangentes e com soluções a longo prazo e não apenas o uso do volume morto, para resolver a falta de água em São Paulo.

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