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Após formar um olho, ciclone subtropical Arani perde força nesta quarta

Confira a trajetória deste fenômeno

16/03/2011 10:23:00

Por: Patrícia

Nesta quarta-feira (16), o ciclone subtropical que se formou sobre o Sudeste do Brasil no último domingo já perdeu bastante força em alto-mar.

Depois de alguns dias de análise, órgãos de meteorologia nacionais e internacionais chegaram a um consenso sobre a nomenclatura. A tormenta passou a se chamar Arani, mas mesmo assim não foi designada como furacão. O órgão que monitora tempestades graves da NASA chegou a emitir um boletim na sexta-feira (11), chamando o sistema de ciclone tropical por conta da latitude de formação. Já a Marinha do Brasil emitiu alertas ontem nomeando Arani como tempestade subtropical.

Como o fenômeno não acontece com tanta frequência em águas brasileiras, a classificação do sistema entre os órgãos meteorológicos nacionais levou algum tempo. Mesmo assim, a Somar Meteorologia emitiu seu primeiro alerta sobre a ocorrência do sistema já na sexta-feira (11) em seus canais de comunicação.

Segundo o meteorologista da Somar, Celso Oliveira, primeiramente o sistema surgiu como uma área de baixa pressão sobre o continente no norte do Espírito Santo, mas que depois evoluiu para um ciclone tropical no início desta semana conforme se afastava do continente para alto-mar. "Hoje o sistema foi embebido por uma frente fria na altura do Sudeste numa posição muito distante da costa brasileira e só traz agitação marítima" - completa Oliveira.

A pressão atmosférica de Arani chegou na terça-feira (15) ao nível mínimo de 998 hPa. Os ventos máximos foram estimados pelo Insituto Nacional de Meteorologia na ordem dos 120 km/h a pelo menos 700 quilômetros do litoral. A estação meteorológica do arquipélago de Abrolhos (costa sul da Bahia) chegou a registrar ventos de 81,4km/h às 19h.

Ontem, o sistema chegou a formar o que os meteorologistas chamam de "olho". O olho é uma área circular geralmente no centro dos ciclones onde há subsidência, ou seja, o vento desce do topo da atmosfera para a superfície.

Momento da formação do olho na tarde da terça-feira

Efeitos

Segundo Celso Oliveira, o sistema provocou chuvas e ventos fortes somente no final de semana entre o Rio de Janeiro, Espírito Santo, sudeste de Minas Gerais e sul da Bahia, ainda na sua formação. Conforme o ciclone foi ganhando força e se associando a uma frente fria, formou-se uma pista de ventos com aumento da agitação marítima e ressaca sobre a costa do Espírito Santo e Rio de Janeiro com efeitos maiores em alto-mar. Foram emitidos alertas para navegação, atividades petrolíferas e voos sobre a área afetada.

Histórico

Os ciclones tropicais ou furacões são fenômenos raros em águas brasileiras, mas que já registraram duas ocorrências de destaque no Brasil: a primeira foi de 24 a 28 de março de 2004, quando ocorreu o Furacão Catarina na costa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina e que provocou a morte de três pessoas, com ventos máximos de até 176 km/h; a segunda ocorrência foi em 9 e 10 de março de 2010 com a tempestade tropical Anita, também sobre a costa do Rio Grande do Sul mas que não causou vítimas, com ventos mais fracos e rajadas máximas de 85 km/h.

Equipe SOMAR Meteorologia

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